Insistir ou desistir: como avaliar o melhor caminho?

 

Quer seja diante de uma ideia, um projeto ou mesmo mudança de emprego, muitos profissionais se deparam com o seguinte dilema: Devo persistir nesse ideal ou desistir? Nessa reflexão, percebe-se que a melhor decisão requer responder a outra pergunta: Você é persistente ou teimoso?

 

A resposta exige certa dose de coragem e autoconhecimento. Isso porque, movidos por um objetivo, profissionais obstinados pelo sucesso acabam investindo energia e muitas vezes não conquistando o resultado desejado. Outros, porém, durante a caminhada em busca do objetivo, percebem um insucesso na empreitada e, como forma de persistir, mudam de estratégia e conquistam bons resultados.

 

Não há uma fórmula de sucesso e cabe ao profissional perceber seus limites e notar quando um objetivo deixa de ser persistência e passa a ser teimosia. Em outras palavras, o persistente, quando não conquista os resultados desejados, muda de estratégia. Já o teimoso insiste para obter os resultados almejados.

 

É natural manter-se na zona de conforto mas, para obter sucesso, é preciso doses de ponderação e risco. Mudar um hábito, encerrar um ciclo, trocar de emprego, ou desistir de um projeto, exige grande esforço e, sobretudo, o desejo de se reinventar e acreditar no próprio potencial. No trajeto, podem ocorrer perdas, mas com energia e determinação, resultados surpreendentes podem surgir, basta estar aberto para novas oportunidades, novas ideias. 

Mapas mentais

 

Por causa do grande volume de trabalho, muitos profissionais utilizam métodos que auxiliam na organização das tarefas. Alguns recorrem a listas como forma de estruturar os afazeres, outros, porém, têm encontrado nos mapas mentais importante apoio para dispor as ideias de forma ordenada, argumentada e, principalmente, visual. Surgido na década de 70, o mapa mental é uma técnica de organizar o pensamento. Foi criada por inglês Tony Buzan, utilizando letras e números, além de imagens e cores, para hierarquizar as informações.

A ferramenta ajuda a ativar o lado direito do cérebro, responsável pela criatividade e, com ela podemos colocar as ideias no papel de maneira metódica e prática. Para estruturar um mapa mental, basta o profissional partir de uma simples situação e ir desencadeando outras variáveis. Utilizando imagens, cores ou mesmo desenho, é possível observar o mapa completo e detectar em que ponto investir para  resolver uma questão.

Sua aplicação está relacionada às mais diversas atividades, como elaborar e gerenciar projetos, preparar uma apresentação, desenvolver um plano de trabalho ou, ainda, planejar, organizar e estruturar ideias antes de uma reunião importante.

Para criar um mapa mental, existem alguns softwares ou páginas que oferecem a ferramenta, como www.mindmup.com; www.coggle.it; www.mindmeister.com/pt, entre outros. Mas se o profissional optar por fazê-lo no papel, basta conferir estas dicas:

  • Escreva as informações a partir do centro de uma folha de papel ou de um quadro branco e desse ponto faça conexões.
  • Use palavras-chave, que serão importantes para resumir as questões.
  • Utilize imagens e símbolos para ilustrar melhor as ideias. Se preferir, faça um desenho.
  • Preveja conexões, preocupando-se em não deixar nenhuma informação isolada ou sem relações. 
  • Use cores que realcem as diferenças das palavras que precisam de destaque. O tamanho das letras também pode ajudar, pois um mapa colorido será mais facilmente interpretado.

Carreira acadêmica versus carreira corporativa

 

Escolher qual caminho seguir na vida profissional não é tarefa fácil. Por vezes, profissionais optam pelo tradicional, investindo na graduação e participando de programas de estágio e trainee e, quando veem, já estão totalmente adaptados à vida corporativa. Porém, outras pessoas investem na carreira acadêmica e, ao terminar a graduação, emendam uma especialização atrás da outra e, naturalmente, passam a ocupar as salas de aula compartilhando conhecimentos.

 

Há também aqueles que investem nas duas, durante o dia cumprem sua jornada em empresas e à noite lecionam. Esse é o caso da editora executiva de inglês da Richmond, Izaura Valverde que depois de 20 anos dedicados à educação, fez o caminho inverso, largando tudo para iniciar nova experiência no mundo corporativo. Para ela, dar aula lhe dava motivação e alegria, mas ao se deparar com uma nova oportunidade, percebeu o quão prazeroso e desafiador esse novo caminho poderia ser. “Comecei com trabalhos freelancer e por quatro anos acumulei as duas funções, até que recebi o convite para fazer parte da Richmond e, sem titubear aceitei, mesmo sabendo que teria de começar uma nova carreira e galgar degrau por degrau”, enfatiza.

 

De acordo com Izaura, todo o conhecimento adquirido ao longo dos anos como professora, coordenadora de ensino e até mesmo empreendedora, foram importantes para que conquistasse o espaço na editora. “O fato de ter passado pela sala de aula me ajudava muito a escrever. Eu sabia o que funcionava com os alunos, o que facilitava a criação de conteúdo para as publicações.”

 

Tanto a carreira corporativa quanto a acadêmica possuem vantagens e desvantagens e cabe ao profissional identificar seu lugar. Em comum, são oportunidades que exercitam a liderança, pois os líderes e os professores são fundamentais para estimular as pessoas, atuando como orientadores e facilitadores. Outro ponto importante refere-se ao mercado de trabalho, pois estão em alta os profissionais que acumulam o conhecimento adquirido na carreira corporativa e passam a compartilhar suas vivências em sala de aula.

 

Entusiasmada e feliz com a decisão de seguir nova carreira, Izaura revela algumas dicas de sucesso: “É preciso acreditar no que quer, não ter medo de recomeçar, mesmo com um cargo abaixo. É preciso também ter espírito de aprender, não ter medo de mudar”, encerra.

Oportunidade em outro país/cidade: o que avaliar?

 

Aceitar uma oportunidade de trabalho em outra cidade, ou mesmo outro país, pode ser a chance de mudança na carreira e a certeza de encontrar desafios pela frente. Diante do cenário político/econômico repleto de incertezas e com as possibilidades crescentes de atuação em outros países, profissionais têm recebido propostas para trabalhar em outras localidades, visando novos desafios em suas carreiras.

 

De início, a proposta até pode ser encantadora, mas é preciso analisá-la com cuidado antes de qualquer movimentação. Isso porque o processo de expatriação tem se tornado prática constante, mas exige cautela do profissional ao tomar a decisão, uma vez que envolve diferenças culturais, distância da família e ainda,  dificuldade com a língua.

 

Convidado para atuar no Brasil, Francisco Bartolozzi, gerente comercial do Uno Internacional (empresa da Santillana Brasil), antes de sair da Venezuela, avaliou bem as possibilidades, que segundo ele, exigiram desprendimento e resiliência. “Aceitei o desafio acreditando na possibilidade de crescimento dentro da empresa. Para isso, optei por deixar minha carreira construída ao longo de 20 anos para representar a qualidade do meu trabalho no Brasil. Deixei o meu cargo de diretor comercial para assumir, no Brasil, uma vaga de consultor comercial, e hoje, depois de quatro anos no País, já conquistei a posição de gerente comercial”, enfatiza.

 

Para Bartolozzi, o risco foi calculado pois acreditava na oportunidade de crescimento e que, com força de vontade e empenho, poderia reconquistar sua antiga posição. Mas, para obter sucesso, ele precisou enfrentar alguns desafios como lidar com a ausência de sua família (ficou afastado por quase dois anos) e também as dificuldades com a língua. “Nestes quatro anos que estou no Brasil já morei em cinco estados e senti muita diferença entre as regiões do País. Os primeiros seis meses, para falar, foram difíceis. Mas estou feliz e agradecido com a decisão que tomei”, avalia.

 

Não existe uma resposta exata sobre qual é o melhor caminho, no entanto, o profissional pode se fazer algumas perguntas, como: Quais são os riscos e as garantias dessa decisão? Qual é o meu plano de carreira? Ou, ainda, se a oportunidade já está estruturada ou terá que começar do zero? Para Bartolozzi, entretanto, existem algumas dicas de sucesso. “No primeiro momento, o profissional precisa avaliar se vale a pena a proposta e se optar por ir, vá sozinho. É difícil, mas com foco, ganhando segurança e estabilidade, traga a família. Hoje meu filho de cinco anos está bem adaptado e fala melhor o português do que eu”, encerra. 

Namoro no trabalho, pode?

 

Fato recorrente no dia a dia das empresas, o namoro no ambiente corporativo não é mais tabu, mas o tema tem exigido cada vez mais atenção às regras e ao bom senso para não prejudicar a vida profissional. Graças à convivência diária, é natural despertar sentimentos, amizades e, inclusive, paixões, mas cabe aos profissionais saber conduzir a situação, pois a forma de lidar poderá ser decisiva para definir o futuro da relação ou mesmo da carreira.

 

Isso porque, em sua maioria, as empresas possuem códigos de ética que não proíbem, mas orientam quando o assunto é relacionamento amoroso, como revela a coordenadora de RH da Santillana Brasil, Renata Pires Alecrim. Em geral, na companhia, os relacionamentos são entre pessoas de áreas diferentes, mas caso sejam do mesmo departamento, há uma cláusula do código de ética e conduta que se chama “conflito de interesses” que trata do assunto. “Nunca tivemos qualquer problema com situações de falta de bom senso ou coisas do gênero. Os casais costumam ser discretos, separam bem o profissional do pessoal”, enfatiza.

 

Prova disso é o casal Elisangela Gonçalves Marques, analista de contas a pagar, e Herculano Lenhares Marques, analista de RH, que se conheceram na Santillana Brasil. Hoje estão casados e creditam a felicidade à empresa e aos colegas, por terem apoiado quando souberam. Para Herculano, o sucesso no relacionamento foi possível porque o casal esteve atento a alguns pontos: Levamos em consideração que poderíamos nos expor por nossas atitudes, então, procuramos não confundir trabalho com lazer, não deixar o relacionamento atrapalhar o trabalho no dia a dia, conversávamos somente o necessário dentro da empresa, buscando sempre sermos discretos”, declara.

 

A coordenadora de RH faz um alerta sobre os envolvimentos. Sempre orientamos que os envolvidos informem a seus gestores imediatos sobre o relacionamento, isso é bastante importante”. De acordo com Elisangela, no princípio, o casal teve medo de revelar, mas ao contar aos seus superiores, notaram apoio e compreensão. Para ela, mesmo se houvesse resistência por parte da companhia, o relacionamento aconteceria. Podemos trabalhar em várias empresas, mas encontrar o amor dentro de uma delas, isso é destino”, encerra emocionada.