Comportamento profissional nas Redes Sociais

 

Um conhecido ditado popular diz que “bom senso e chá de erva cidreira não fazem mal a ninguém”. A mensagem nunca se fez tão útil como nos dias de hoje, em que a conexão online é intensa e ilimitada, 24 horas por dia. Aparelhos multifuncionais e recursos para redes sociais são apresentados diariamente em um convite para interação e participação cada vez maior nas mídias. Porém, alguns cuidados devem ser tomados para que o usuário não cause armadilhas para si. Ciladas que podem comprometer uma imagem profissional e levar até a prejuízos jurídicos, em casos de ofensa a honra, dignidade e a imagem de alguém.

 

Pesquisa realizada pela Office Team, empresa do grupo Robert Half – especializado em recrutamento e seleção – aponta que o comportamento inadequado nas redes sociais pode manchar a reputação de um profissional. Para 45% dos 300 gestores de recursos humanos entrevistados, postagens inadequadas podem custar a participação em processos seletivos. Entre os entrevistados, um em cada três afirma que publicar ou ser marcado em fotos questionáveis são as principais gafes cometidas.

 

A pesquisa mostra também a pouca importância dada pelos usuários à sua imagem profissional na internet. Muitos consideram as redes sociais como lugares para diversão ou para desabafos. O que pouca gente lembra é que os recrutadores usam as redes sociais como ferramenta de análise de perfis profissionais e de possíveis candidatos.

 

É comum ver centenas de likes nas fotos em que os usuários aparecem em viagens ou festas, regadas a bebedeira, “pegação” e pouca roupa. O que pode parecer popularidade aos olhos do protagonista deixa claro aos profissionais de RH a falta de bom senso do profissional.

 

Assim como as fotos, as opiniões também são percebidas nas redes, especialmente no Facebook e LinkedIn, que se transformaram em territórios para opiniões, debates e polarizações sobre qualquer assunto, de política à igualdade de gênero. Neste campo, a diferença entre a argumentação e a agressão se encontram em uma linha extremamente tênue. 

 

De acordo com a opinião de diversos gerentes de RH, mesmo diante de tanta informação, ex-funcionários ainda usam as redes para criticar empresas ou ex-chefes. “Os candidatos estão mais conscientes com relação a exposição, mas ainda existem alguns casos. Aqui vale lembrar o famoso conselho que todo mundo deve ter ouvido em casa “se você não tem nada de bom para falar, não fale nada”, expõem.

 

De acordo com os profissionais de RH, o mercado de trabalho está cada vez mais dinâmico e é comum um profissional passar pela mesma empresa mais de uma vez. “É preciso usar as redes sociais com maturidade para evitar constrangimentos. O bom senso é fundamental para que o profissional tenha as portas da empresa por qual passou abertas em qualquer momento da vida”, concluem.

 

Como se vê, o mundo é redondo e o lugar que parece ser o fim pode ser o começo. 

"Girl power" discurso ou construção

 

Após três longos anos a economia ensaia uma tímida reação – o suficiente para encher de esperanças o coração de milhares de brasileiros que estão em busca de uma oportunidade no mercado de trabalho. E com elas as discussões em torno de equidade de gênero. O termo “girl power” tem sido mote para longos debates, no terreno fértil da internet. Há quem defenda que o empoderamento feminino esteja sendo usado de forma equivocada pela publicidade para a criação de mais um estereótipo vazio. Enquanto outros estão preocupados em garantir que homens e mulheres tenham as mesmas oportunidades, no que diz respeito a carreira e renda.

 

Fato é que os mais variados estudos feitos em todo o mundo mostram uma diferença alarmante no comparativo de participação entre homens e mulheres no mercado de trabalho. São poucas, para não dizer raras, as mulheres que alcançam altos cargos hierárquicos dentro de uma empresa. E ainda mais raros os casos em que, já no patamar mais alto, o salário condiz com sua função.

 

De acordo com estudo desenvolvido pela Women in the Workplace 2017, promovido pela consultoria McKinsey, há uma falsa ideia de que a busca pela equidade de gênero seja pauta diária no mundo corporativo. Os números da pesquisa, feita com base no mercado de trabalho americano, sugerem que pouco ou quase nada tem sido feito.

 

Em um comparativo entre homens e mulheres brancas em cargo de vice-presidência, a participação masculina é de 70%, enquanto a feminina é de 18%. Os números mostram que além de gênero a desigualdade racial prejudica os acessos, realidade parecida com a que temos no Brasil. Na comparação entre homens e mulheres negras/ latinas, a discrepância se mantém, sendo 9% de homens americanos no cargo contra 4% do público feminino.

 

Além de trazer igualdade, aumentar a participação feminina no mercado de trabalho ainda traria consequências positivas para a economia. De acordo com o estudo Perspectivas Sociais e de Emprego no Mundo – Tendências para Mulheres 2017, da Organização Internacional do Trabalho, a redução das diferenças de gênero poderia aumentar o PIB brasileiro em 3,3% ou 382 bilhões de reais, e acrescentar 131 bilhões de reais às receitas tributárias. Para isso, seria necessário atingir em 25% a desigualdade na taxa de presença das mulheres no mundo do trabalho até 2025, compromisso já assumido pelos países que compõem o G20.

 

Os dados da pesquisa mostram que o “girl power” precisa sair do discurso para, de fato, se tornar uma construção. E construir o espaço para a “mulher poderosa” não se faz do dia para noite. Ainda há tempo. Porém é preciso começar. 

A naturalidade do networking

 

O networking é uma prática fundamental para qualquer profissional que deseja crescer na carreira, mas que suscita muitas dúvidas quanto à forma de aplicá-la no cotidiano.

 

É comum que se confunda o bom relacionamento com a rede profissional com falsidade ou politicagem. Esta ideia não poderia estar mais errada, e isso fica claro quando entendemos como o networking pode fazer parte do dia a dia com naturalidade.

 

O primeiro passo é compreender a importância da manutenção de um contato próximo com potenciais parceiros, clientes, empregadores e colaboradores. Em qualquer atividade profissional, precisamos do apoio de outras pessoas, e nem sempre é possível prever quando teremos de contar com isso.

 

Vale destacar que o networking torna-se ainda mais necessário em um contexto de crise econômica, quando os empregos são menos estáveis e as oportunidades são escassas no mercado. Em um momento como esse, um profissional bem relacionado tem mais facilidade em manter sua posição dentro da empresa ou conquistar uma recolocação quando preciso.

 

Uma vez que esteja clara sua importância, resta a questão: como fazer networking sem parecer falso ou interesseiro?

 

Mantenha sua rede ativa
É fundamental perceber que o relacionamento com a rede de contatos deve ser um hábito, e nunca uma prática reservada apenas aos momentos de desespero. Uma relação profissional, como qualquer outra, deve ser constantemente alimentada para que se sustente.

 

Não deixe para entrar em contato com possíveis parceiros profissionais apenas quando precisar deles. Com as redes sociais, é fácil conversar mesmo quando não se tem tempo ou disponibilidade. No entanto, quando possível, vale marcar um almoço para contar —e escutar— as novidades da sua área de atuação. Os encontros feitos pessoalmente deixam marcas mais fortes na memória das pessoas.

 

Desta forma, quando o contato for realmente necessário, ele será muito mais natural, já que a relação foi mantida ao longo do tempo.

 

Networking exige generosidade

Costumamos associar o networking à maneira como os outros podem nos ajudar. Entretanto, o bom relacionamento também exige que pensemos como podemos colaborar com nossos contatos.

 

O simples prazer de ajudar já é motivo para que procuremos ser úteis a outros profissionais. A retribuição pode não vir, mas normalmente ela chega antes do que esperamos. Em suma, é possível esperar boa vontade de alguém que você ajudou um dia.

 

É por isso que a generosidade é um aspecto fundamental do networking. Quando pensamos mais no que podemos oferecer do que no que podemos ganhar, acumulamos "créditos de networking" no mercado. Eles são valiosas moedas a serem utilizadas posteriormente.

 

Seguindo essas simples recomendações, é fácil fazer com que o networking seja uma prática corrente e natural, que em nada se confunde com a falsidade. Profissionais de uma mesma área têm muita experiência a trocar, e não é preciso que haja uma longa amizade para que o contato possa ser produtivo.

 

Portanto, faça da boa relação com sua rede de contatos um hábito. Os resultados desta atitude costumam ser rapidamente perceptíveis. A sua carreira agradece. 

A chegada da Geração Z: como o mercado vai se adaptar?

 

O mercado de trabalho ainda se esforça para absorver os defeitos e qualidades da Geração Y (pessoas nascidas entre o início da década de 1980 e meados dos anos 90). No entanto, sua sucessora, a Geração Z, lança novos desafios para os departamentos de Recursos Humanos das empresas.

 

A Geração Z é composta por pessoas nascidas entre meados dos anos 90 e 2010. Como era de se esperar, ela apresenta características diferentes de seus "irmãos mais velhos".

 

De acordo com o livro "Gen Z Work", de David e Jonah Stillman, a Geração Z enxerga o trabalho como um meio para conseguir dinheiro e realizar seu propósito, enquanto a Geração Y trata o trabalho como o próprio propósito da vida.

 

Isso ajuda a entender as características desta nova geração e o impacto de sua chegada ao mercado. Se a Geração Y já era difícil de agradar, os "Z's" podem ser ainda mais exigentes, e esperam muito de seus empregos.

 

Esses jovens gostam que o trabalho ofereça oportunidades de apredizagem e experiências enriquecedoras. Para eles, a possibilidade de realizar treinamentos e a demanda por tarefas desafiadoras são altamente valorizadas.

 

Os pesadelos da Geração Z são ver suas capacidades sendo subaproveitadas ou realizar serviços pouco significativos. Eles costumam ter muita energia, entusiasmo e preparo técnico em suas áreas de atuação.

 

O alto nível de conhecimento com que chegam ao mercado pode ser explicado pelo convívio com a internet desde o berço. Se não sabem alguma coisa, logo descobrem. Pode ser essa a chave para entender a constante necessidade de aprender novas habilidades.

 

Impacto sobre as empresas
Por outro lado, a chegada da Geração Z ao mercado pode apresentar desafios ainda maiores, que envolvem a própria estrutura das empresas. Seus representantes têm dificuldade em aceitar figuras de autoridade, a não ser que sejam "conquistados" por elas. A noção de hierarquia faz pouco sentido para eles.

 

Por isso, cativar e manter os jovens talentos pode ser difícil para empresas com estruturas mais tradicionais, com departamentos e cargos muito bem definidos.

 

Soma-se a isso o fato de muitos deles não terem o sonho de trabalhar em uma grande corporação. Ainda de acordo com o livro "Gen Z Work", apenas 23% dos jovens formados em 2017 preferem trabalhar em grandes empresas. Entre os formados em 2015 e 2016, a taxa era de 31%, o que mostra a rápida transformação deste cenário.

 

Cada vez mais, trabalhar em pequenas empresas, startups, ou mesmo trilhar o caminho do empreendedorismo mostram-se opções mais tentadoras aos jovens do que enfrentar a mesmice do mundo corporativo.

 

 As empresas que quiserem usufruir do talento e dinamismo da Geração Z devem, portanto, adaptar-se às demandas que ela apresenta. E isso já se verifica no mercado. Muitas companhias têm flexibilizado ou mesmo abolido seus códigos de vestimenta, por exemplo.

 

Embora possa não parecer uma mudanção tão significativa do ponto de vista prático, o traje com que se trabalha tem um forte efeito simbólico sobre a percepção destes jovens em relação ao emprego.

 

Horários mais flexíveis também fazem mais sentido para pessoas acostumadas à constante conexão às redes. A jornada das 9h às 17h parece antiquada para muitos membros da nova geração.

 

Outra mudança que vem se tornando recorrente diz respeito à formalidade do ambiente de trabalho. Nas empresas mais modernas, baias e separadores têm dado lugar a espaços de trabalho coletivos, sem lugares fixos, com paredes coloridas e objetos lúdicos.

 

Algumas das chaves para tornar as empresas mais atrativas aos profissionais mais novos já estão sendo descobertas. Outras respostas terão de ser dadas pelos próprios membros da Geração Z, que ainda se esforçam para entenderem a si mesmos.

Afinal, ser workaholic é bom ou ruim?

 

Workaholic é a pessoa que trabalha compulsivamente, deixando de dar importância a outros aspectos da vida, como a família, a vida social, o lazer e o descanso. A palavra, que em português pode ser traduzida como trabalhador compulsivo, reflete uma situação que atinge muitos profissionais e que costuma ser mal compreendida.

 

Muito se confunde o workaholismo com o empenho profissional, e é comum que a condição seja vista como uma característica positiva. Mas trata-se de um vício que, como qualquer outro, pode trazer sérias consequências.

 

Segundo especialistas, o indivíduo que sofre deste vício tende a perder o prazer de trabalhar. Ou seja, dedica muito tempo à atividade profissional, sem tirar disso nenhum tipo de satisfação, e com um alto grau de autocobrança.

 

Esta perda de prazer pelo trabalho pode ser a chave para diferenciar uma pessoa motivada e dedicada à profissão de um workaholic.

 

Outras características comuns são a incapacidade de delegar tarefas, o perfeccionismo exacerbado e a obsessão por metas e resultados. A condição está ainda associada a baixa autoestima, irritação, ansiedade e outros sintomas prejudiciais à saúde física e mental.

 

Por outro lado, as longas e estressantes jornadas de trabalho podem ser negativas até mesmo à produtividade profissional. Sem descanso, nosso cérebro se desconcentra facilmente e cometemos erros que não cometeríamos normalmente. Estudos já desmentiram a tese de que muitas horas trabalhadas resultam em mais objetivos entregues.

 

Além disso, os aspectos da vida deixados de lado, como a família, a vida social e o lazer, fatalmente "cobram a conta" em algum momento. Não é possível negligenciar a vida pessoal por muito tempo sem que isso traga consequências negativas.

 

O afastamento do convívio social, por exemplo, acarreta cobranças por parte dos familiares. Esta cobrança, por sua vez, faz com que o indivíduo se volte mais ainda ao trabalho, para fugir dos problemas em casa. Constitui-se, então, um ciclo difícil de quebrar.

 

A ajuda da família costuma ser determinante para que o workaholic saiba quando é hora de tomar mais cuidado, ou mesmo procurar acompanhamento profissional. Por isso, é importante que as pessoas ao redor do trabalhador compulsivo tenham paciência para identificar os sintomas

 

Alguns casos de fato demandam o apoio médico ou psicológico. O workaholic pode não perceber, mas está fazendo mal a si mesmo e a outras pessoas.

 

O importante, no fundo, é perceber que o trabalho pode ser algo positivo e prazeroso, e que isso só acontece quando valorizamos também os outros aspectos da vida.